Com o aumento da área urbana e conseqüente diminuição dos alimentos disponíveis naturalmente, os cupins passaram a exercer uma elevada pressão de ataque sobre as construções e residências buscando ocupar o espaço perdido e os alimentos indispensáveis a sua manutenção. Concentrando-se nas poucas áreas de terra que restaram nas ruas, jardins e prédios, são as principais pragas das construções urbanas e rurais.
"O controle dos cupins deve ser sempre preventivo"
Apesar de existirem mais de 2000 espécies de cupins, apenas algumas espécies, divididas em dois grupos, ocorrem nas construções residenciais e materiais agrícolas como mourões, postes etc.
Neste grupo a espécie mais importante é o Cryptotermes brevis (Kalotermitidae). Ataca as estruturas internas das portas e armários construídos de madeira mole, móveis, forros e até madeira de lei, quando mal preservada. Os seus ninhos pouco elaborados são construídos dentro das galerias que abrem nas peças de madeira.
Conhecido por cupim subterrâneo (Coptotermes e Heterotermes). Destes, a espécie Coptotermes havilandi é a mais importante e destruidora. Constrói ninhos grandes e populosos, normalmente ligados ao solo ou a uma fonte de umidade proveniente do prédio ou da estrutura que está atacando.
Os cupins subterrâneos são tão destruidores que podem atacar todas as tubulações enterradas no solo, sendo seus danos comuns aos cabos telefônicos. Estes cupins chegam a furar o PVC e o alumínio que protegem os cabos telefônicos, proporcionando a entrada de umidade e o mal funcionamento do sistema.
Nas construções eles atacam quase tudo, dando preferência para revestimentos de madeiras, compensados dos aparelhos eletrônicos, móveis etc. O gesso usado na construção dos falsos forros e nas ornamentações pode ser atacado. Mais que o cálcio da sua composição eles procuram, nas peças de gesso, o material celulósico que pode ser utilizado para dar consistência e maleabilidades peças de gesso.
Os cupins são insetos sociais que constroem seus ninhos, chamados zupinzeiros ou termiteiros, para a proteção da colônia, armazenamento de alimento e a manutenção de condições adequadas ao desenvolvimento dos indivíduos. As colônias são formadas por castas de indivíduos ápteros e alados. As formas ápteras compostas por cupins estéreis , de ambos os sexos, são as operárias ou obreiros e os soldados. As operárias constituem a maior parte da população do cupinzeiro e desempenham todas as funções da colônia, exceto a da procriação. Os soldados, geralmente cegos, são semelhantes aos operários, dos quais diferem por apresentarem cabeça mais volumosa e de coloração marrom amarelada e as mandíbulas mais desenvolvidas que não servem para mastigação. A função do soldado é defender a colônia, colaborando também no trabalho das operárias. As formas aladas constituem a casta reprodutora de machos e fêmeas que abandonam o cupinzeiro para fundar novas colônias. A revoada ou enxameagem destas formas aladas, conhecidas popularmente por siri-siris ou aleluias, ocorre no período quente e chuvoso do ano. Após a revoada eles perdem as asas e cada fêmea, com seu macho, forma o casal real que constrói uma câmara nupcial na madeira ou no solo, dependendo da espécie de cupim. Após dias ocorre a primeira cópula e a fêmea coloca os primeiros ovos. Cerca de um me após, surgem as primeiras formas jovens, que serão criadas pelo casal real. Quando estas formas jovens começam a se locomover, o casal real passa a ter apenas a função de procriar e o macho fecunda a fêmea periodicamente. A câmara nupcial precisa ser alargada pelos operários, na medida que cresce o abdome da rainha, podendo chegar a 2000 vezes o volume do resto do corpo, devido a pressão exercida pela massa de ovos. Este fenômeno é chamada de fisogastria. Uma rainha pode colocar até 30.000 ovos por dia. Os operários trazem o alimento para a rainha e levam os ovos para a câmara de criação. A população de um cupinzeiro pode variar, dependendo da espécie e idade, de alguns milhares a vários milhões de indivíduos por colônia.
As medidas para evitar ou minimizar a deterioração de madeiras em edificações são fundamentalmente o tratamento preventivo do madeiramento e do solo. É o mais eficiente e o que deve ser adotado visando a proteção da obra contra o ataque dos cupins.
O tratamento preventivo de madeira pode ser executado mediante diversos processos, que devem ser adequadas as situações de uso, como contato com o solo, a exposição a intempéries ou a aplicação em interiores.
No tratamento preservativo de solo procura-se criar um ambiente desfavorável aos cupins subterrâneos, aplicando-se por ocasião da construção, inseticidas junto aos alicerces, fundações, pisos, etc.